O quanto nós sabemos sobre o Carbono? Na minha postagem No 3 afirmei que depois da água é o elemento que constitui em maior quantidade os organismos vivos – plantas, animais e seres humanos. A importância não é pequena!

Ultimamente, depois da realização dos eventos, de 1972, em Estocolmo, e depois na ECO-RIO 92, no Rio de Janeiro, e a RIO + 20, em 2012, o carbono tem sido olhado como gás carbônico (CO2), sua produção por nossas atividades e emissão para a atmosfera causando o efeito estufa e o que se convencionou chamar de mudanças climáticas. O International Panel on Climate Chance (IPCC), e em reuniões globais sobre o tema, publicam predições sobre efeitos se o aumento de temperaturas médias ao redor da terra vier a ser de 4o  C ou 1,5o C, aprovando resolução de que os países deveriam fixar a meta de 2o C, o que seria menos prejudicial à vida no Planeta Terra. Esse aumento de temperatura média e as mudanças nos padrões de chuva/precipitações seriam bastante para mudar os climas: (i) Zona Polar Norte; (ii) Zona Temperada do Norte; (iii) Zona Tropical; (iv) Zona Temperada Sul; e (iv) Zona Polar Sul?

A convite do Engenheiro Agrônomo Maurício Carvalho de Oliveira, do Ministério da Agricultura, participei de um evento ocasião em que na 5a Palestra nos foi apresentado brilhante pronunciamento feito pelo Engenheiro Agrônomo Professor João Carlos de Moraes Sá, mais conhecido como Professor Juca Sá, que tratou do manejo da matéria orgânica e sua relevância para a conservação do solo e da água e para a sustentabilidade da agropecuária nas Regiões Tropicais – Seminário Comemorativo ao Dia Nacional da Conservação do Solo. 12 de abril de 2017. CNA.

Um pouco de teoria:

O carbono (do latim carbo, carvão) é um elemento químico (símbolo C) de no atômico 6 (6 prótons e 6 nêutrons), com massa atômica 12 µ, e sólido a temperatura ambiente. Dependendo das condições de formação pode ser encontrado na natureza em diferentes formas alotróficas: (i) carbono amorfo e cristalino em forma de grafite, a mais frágil e mais barata, o carvão; ou (ii) diamante, forma das mais duras e de maior valor.

O carbono é o pilar básico da Química Orgânica e faz parte de todos os seres vivos. São conhecidos cerca de 10 milhões de compostos de carbono.

O carbono apresenta grande afinidade para combinações com ele próprio e outros átomos pequenos formando largas cadeias e cadeias múltiplas, exemplos: (i) com o oxigênio forma o dióxido de carbono (CO2), vital para o crescimento das plantas; (ii) com o hidrogênio forma os hidrocarbonetos, essenciais para a indústria e para o transporte na forma de combustíveis fósseis – petróleo e gás natural, que combinados com ambos formam ácidos graxos, essenciais à vida, e os ésteres que dão sabor às frutas. Fornece, também, através do ciclo carbono -nitrogênio, parte da energia produzida pelo sol e outras estrelas.

Além da gasolina, querosene, óleos e plásticos, outros usos são:

  • Isótopo carbono 14, na datação radiométrica;

  • Grafite combinado com argila para a fabricação do lápis;

  • Diamante usado como material de corte e na produção de jóias;

  • Elemento da liga principal dos aços;

  • Varetas de proteção de reatores nucleares;

  • Carbono ativado em sistemas de filtração e purificação da água;

  • Carbono II – radioativo usado no exame PET em medicina nuclear; e

  • Em água forma o ácido carbônico (H2CO3), bolhas de muitos refrigerantes.

Em combinação com outros elementos, o carbono se encontra na atmosfera terrestre e dissolvido na água, quando acompanhado de menores quantidades de cálcio, magnésio e ferro forma enormes quantidades de massas rochosas, como calcita, dolomita, mármore etc.

Os animais ao respirar inalam oxigênio (O2) da atmosfera e devolvem como dióxido (gás) carbônico (CO2). As plantas retiram  esse gás do ar e o utilizam na fotossíntese. Esse processo denominado Ciclo do Carbono é vital para a vida na Terra.

O CO2 mantido em determinadas quantidades no ar atmosférico é um dos responsáveis pela manutenção da temperatura terrestre. Sem este gás a Terra seria um bloco de gelo. O excesso de CO2 impede a saída de calor da atmosfera, causando o aquecimento do Planeta – Efeito Estufa (EE).

Nas últimas décadas, devido á enorme queima de combustíveis fósseis, a quantidade de CO2 na atmosfera tem aumentado contribuindo para o aquecimento da superfície terrestre.

Ciclo Global do Carbono

O Ciclo do Carbono tem início quando as plantas e outros organismos autótrofos absorvem o gás carbônico da atmosfera para utilizá-lo na fotossíntese e é devolvido ao ambiente na mesma velocidade em que é sintetizado, porquanto essa devolução ocorre continuamente por meio da respiração durante a vida dos seres vegetais e animais.

Basicamente, o Ciclo do Carbono ocorre quando os animais inspiram o oxigênio (O2) da atmosfera e o expiram na forma de dióxido de carbono (CO2), enquanto que as plantas absorvem CO2 do ar e com a energia do Sol o transformam na fotossíntese, ou seja, no Ciclo Biológico gerando oxigênio e a glicose, alicerce para o crescimento das plantas.

Então, a fotossíntese e a decomposição orgânica, pela respiração, renovam o carbono da atmosfera, conduzindo o carbono da fase inorgânica à orgânica e de volta à inorgânica, concluindo o Ciclo Biogeoquímico.

A concentração do CO2 na atmosfera tem crescido a taxa de 0,4% ao ano, principalmente, devido a extração e queima do petróleo, do gás e carvão, juntamente com a queima de florestas. Essa é a grande preocupação.

Em suma, no Planeta Terra o carbono existe em duas formas: (i) orgânica, nos organismos vivos e mortos; e (ii) inorgânica, presente nas rochas, com 99% na litosfera, a maior parte armazenada em rochas sedimentares em depósitos de combustíveis fósseis.

O Ciclo Biogeoquímico pode ser dividido em dois tipos: (i) o Ciclo Lento ou Geológico, no qual o carbono é sedimentado e comprimido sob as placas tectônicas; e (ii) o Ciclo Rápido ou Biológico, o que mais interessa à Agricultura de um modo geral e à Agricultura Irrigada, em particular.

A pesquisa e a experimentação têm nisso aí um prato cheio! E tem a palavra.