Em continuação sobre o que escrevi no Blogue e na postagem no 5 a respeito do carbono na cultura agrícola e na vida, como técnico em contabilidade, julguei oportuno buscar quantificar entradas e saídas do carbono na atmosfera. Entradas pela emissão ou débito do carbono sob a forma de gás (carbônico), e saídas pela captura, sequestro ou pelo “crédito carbono”.

A grande preocupação tem se dado em torno das emissões de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera e de outros gases como o metano (CH4) e o nitroso (NO2). A emissão de CO2 representa, segundo diferentes fontes, 55%, 60% e até 87% do total das emissões mundiais de gases de efeito estufa (GEE).

Estima-se que em 1996 o Brasil tenha emitido, pelo menos, 285 milhões de toneladas de carbono, das quais cerca de 85 milhões resultaram da queima de combustíveis fósseis (71% pelo uso de combustíveis líquidos, 15,6% da queima de carvão mineral, e 4% do gás natural). As atividades do uso da terra, inclusive desmatamentos e queimadas, representam 3% das emissões globais. (A conta não fecha). A produção e conseqüente emissão de CO2 se dá, também, pela respiração, por incêndios e pela decomposição de material orgânico no solo.

Durante a noite no processo de transpiração das plantas estas liberam o CO2 excedente do processo de fotossíntese que, na presença da luz funcionam ao contrário, capturam o CO2, usam o carbono para crescer e retornam o oxigênio para a atmosfera. (Pode ser que com isso a conta feche).

O Protocolo de Kyoto estabeleceu metas para a redução de emissão de CO2, mediante mecanismos de flexibilização, a saber: (i) comércio de emissões; (ii) implementação conjunta entre países; e (iii) mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL). O Ministério da Agricultura do Brasil formulou o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) e pretende que o Programa Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) contribua com o captura e com a redução da emissão.

Para a captura, ou seja, o sequestro de CO2, também estabelecido na Conferência de Kyoto, em 1997, a finalidade é de conter a emissão e reverter o acúmulo de CO2 na atmosfera. As formas de como proceder podem ser:

–           conservação de estoques de carbono no solo;

–           manutenção e plantios de florestas e outros tipos de vegetação;

–           preservação de florestas nativas;

–           implantação de sistemas agroflorestais, como o iLPF (integração lavoura, pecuária floresta) e derivações, do Ministério da Agricultura; e

–           recuperação de áreas degradadas.

Para a avaliação dos teores de carbono dos diferentes componentes da vegetação (partes aéreas, raízes, camadas decompostas sobre o solo e outras), é necessário quantificar a biomassa vegetal de cada componente da vegetação. O sequestro de carbono significa capturar parte do gás CO2 da atmosfera e armazená-la no solo. Nisso a Agricultura Irrigada pode desempenhar importante papel.

O Ciclo do Carbono precisaria ser, além de descrito nos seus componentes, suficientemente quantificado nos diferentes sistemas de manejo de plantas nativas e de plantas cultivadas, com recomendações de práticas precisas a serem incorporadas aos projetos em nível de imóveis rurais.

Pesquisando eu me deparei com um artigo muito interessante preparado por Maria Raquel Pereira dos Santos Pacheco, bolsista de aperfeiçoamento tipo B, do CNPq, e Maria Elisa Marcondes Helene, pesquisadora-visitante do Instituto de Estudos Avançados, da USP, agosto de 1990, que buscou mostrar a função e a importância do CO2 na natureza, através do seu papel na atmosfera e dos seus fluxos, ascendentes e descendentes – emissão e sequestro.

Como balanço geral o CO2 é fator primordial sob dois aspectos: (i) para o metabolismo das plantas, e (ii) para o equilíbrio climático global ou seria meteorológico? Esse equilíbrio estaria na relação emissão para a atmosfera versus captura da atmosfera. As plantas com seus metabolismos serviriam como elemento regulador desse equilíbrio.

Nos últimos 200 anos a concentração de CO2 na atmosfera aumentou 27% resultado da crescente queima de combustíveis fósseis, pelo desmatamento das florestas e pelas mudanças no uso ou desuso/subuso das terras.

Segundo o mesmo artigo, as proporções de energia primária, potencialmente poluentes, são:

            1.         Combustíveis fósseis

                        – petróleo                                        32%

                        – carvão                                           26%

                        – gás                                                 17%                  75%

            2.         Outras fontes de energia primária

                        – biomassa                                      14%

                        – hidroeletricidade                           6%

                        – fusão nuclear                                 5%                   25%

Algumas estimativas de entrada global líquida de CO2 na atmosfera, devidas a mudanças no uso da terra foram de 1,0 a 2,6 Gt, em 1980. Outros autores, para 1989, estimaram média de 1,8 Gt (0,8 a 2,6 Gt) quase totalmente a partir dos trópicos. Essas variações decorrem de incertezas quanto aos estoques de carbono na vegetação e nos solos.

Moléculas de nitrogênio, oxigênio e argônio constituem a quase totalidade do ar atmosférico. Ao contrário, moléculas que não representam mais do que uma pequena parte dos componentes da atmosfera são: (i) o vapor d’água (H2O); (ii) dióxido de carbono (CO2); e (iii) em menor escala o metano (CH4).

Em suma, a relação entre alterações climáticas e o aumento da concentração de CO2 na atmosfera ainda se encontra em fase especulativa.

Até aqui tratamos eminentemente do gás carbônico e outros gases do GEE. E o carbono como se distribui? Esse é um balanço, também, importante. A distribuição do carbono na natureza é a seguinte:

            – na atmosfera, oceanos, plantas e animais                                                                                                                       0,06%

            – nas rochas e sedimentos oceânicos, sob as formas de carbonatos, carvão e petróleo                                         99,94%

Os três principais reservatórios de carbono capazes de fazer trocas entre si e que compõem o Ciclo Biogeoquímico, são: (i) atmosfera; (ii) oceanos; e (iii) a biosfera[1] terrestre[2].

[1] Biosfera é o conjunto de ecossistemas da Terra.

[2] Biosfera Terrestre resulta da reunião das diferentes partes do sistema Terra: atmosfera; hidrosfera; e litosfera.

Os vegetais terrestres constroem seus tecidos a partir do CO2 atmosférico. A fotossíntese retira nesse processo cerca de 100 Gt de carbono/ano em forma de CO2. A noite, pela respiração, devolvem 100 Gt/ano.

Resumindo, a fotossíntese e a respiração são os processos principais pelos quais passam os fluxos de carbono entre a atmosfera e a biosfera.

A superfície oceânica está em contato direto com os gases atmosféricos e os têm dissolvidos na água. Uma mesma região oceânica pode ser tanto emissora como absorvedora de CO2, cujos processos físico-químicos na superfície dos oceanos e mares liberam aproximadamente 100 Gt de CO2 e absorvem 104 Gt/ano (Figura 01).

As plantas têm a habilidade de transformar diretamente em biomassa as substâncias inorgânicas (Carbono, Hidrogênio, Oxigênio etc) por meio da fotossíntese transformando-os em energia, os açúcares, vitais ao metabolismo alimentar e ao crescimento das plantas.

As perguntas que decorre são: 1) quais as conseqüências do aumento das concentrações de CO2 na atmosfera sobre a biomassa terrestre? e 2) qual a ação do CO2 na planta individualmente e nas comunidades florísticas como um todo?

Estudos têm demonstrado que aos aumentos de concentração de CO2 na atmosfera corresponde um aumento proporcional de produtividade, com aumentos diferenciados na biomassa fixa de diferentes taxas fotossintéticas (C3 e C4). O processo de crescimento da produtividade vegetal devido a altas concentrações de CO2 é conhecido como “efeito de fertilização do CO2”.

Diante de altas concentrações de CO2 manifesta-se uma diminuição na abertura dos estômatos e conseqüente menor perda de água. As plantas C3 representam 95% da biomassa vegetal mundial.

Enquanto a maior parte das emissões de gás carbônico resulta da queima de combustíveis fósseis (75% das emissões globais de CO2) predominantemente nos países industrializados, as emissões decorrentes das mudanças no uso da terra (25% das emissões globais) têm nos países em desenvolvimento a maior fonte.

Estima-se que a biomassa acima e abaixo do solo guarde mais de 120 bilhões de toneladas de carbono.

No Brasil o desmatamento é responsável por 26,7% das emissões do GEE (só na Amazônia, 14,1%), nos transportes 13,8%, fermentação entérica 18,4%, principalmente do gado bovino, setor energético, 4,8%, e processos industriais 7% (ferro guza 3,1% e cimento 1,7%).

Por exemplo, no caso da Amazônia, praticamente de floresta nativa, segundo CARLOS NOBRE (2018) “a cada ano, a floresta tira cerca de 1,0 bilhão de toneladas de carbono da atmosfera impedindo o crescimento maior do aquecimento global. É o mais importante Bioma a fazer esse papel. Além disso haveria significativa perda de biodiversidade na região que pode conter até 10% das espécies vivas do mundo”.

VAMOS REFLORESTAR E NÃO DESMATAR. Para a “produção de água” isso também é bom!