A produção de água, a primeira vista, pode parecer um contrassenso, um disparate, um dito contrário á boa lógica, porquanto a água existe e em grandes quantidades (VIDE POST 2). Se assim for também a produção vegetal, animal e de minérios fugiriam á razão. Também válido para a água se aplica a 1ª Lei da Termodinâmica “Na natureza nada se cria, nada se destrói, tudo se transforma” (Lei de Lavoisier).

Mesmo com o Planeta Terra sendo composto por 2/3 de água, apenas 0,6% é próprio para o consumo humano (fresh water). O restante é de água salgada que precisa passar por um processo de dessalinização (produção) para o seu consumo. Israel faz isso muito bem!

Os seres humanos ao redor do Planeta utilizam a água sob diferentes formas. A utilizam em forma sólida – o gelo – para a preservação de alimentos, resfriamentos/congelamentos – e para adição á bebidas como whisky, refrigerantes etc. Várias utilizações sob a forma de vapor, inclusive, mais recentemente, em Air Fry para a cocção de alimentos. A grande maioria dos usos, no entanto, se dão dela sob a forma líquida. Desde via/transportes, soluto e solução, geração de energia, material de limpeza/higiene, consumo vital humano e animal, e na produção de alimentos de origem vegetal: bebidas; fibras; óleos essenciais; fármacos; plantas ornamentais etc e de origem animal. É grande a dependência humana sobre esse mineral. A própria água é alimento dos seres humanos, plantas e animais.

A água na natureza (H2O) completamente pura é raramente encontrada. A água da chuva é diferente se no meio urbano (grandes cidades têm mais contaminantes) ou se no meio rural onde a água da chuva é mais limpa. Nos grandes centros urbanos a água da chuva pode conter amônio, nitrato, sulfato, ácidos fórmico e acéticos, fuligem preta e, até mesmo, vírus e bactérias. Esses poluentes e contaminantes prejudicam mais o sistema respiratório humano do que o digestivo.

A água na natureza é um mineral diferente com os seguintes tipos de água produzidas:

a) água mineral retirada de fontes hidrominerais e podem possuir maior ou menor quantidade de minerais, e podem ser com gás de fonte natural, com CO2, ou sem gás;

b) água potável produzida, no Brasil se acrescenta cloro, flúor, sulfato de alumínio etc;

c) água oxigenada produzida para o tratamento/limpeza de ferimentos;

d) água destilada isenta de minerais e utilizada em processos industriais e em laboratórios;

e) água termal de fontes com temperaturas mais altas e com propriedades terapêuticas;

f) águas salobro/salgadas presentes nos oceanos e mares, possuem grandes concentrações de cloreto de sódio;

g) água gaseificada produzida mediante processo de adição de CO2 no momento do envase;

h) águas produzidas com sabor, com aroma, e com adição de sais e fibras;

i) água boricada também produzida contém 3% de ácido bórico, é proibida em vários países;

j) água poluída apresenta alterações físicas como: cheiro; turbidez; cor; sabor;

k) água contaminada contém agentes patogênicos;

l) água para irrigação, de grande utilização para a aplicação em cultivos complementando a chuva e/ou de aplicação plena nos climas áridos e semi-áridos, equivale a 70% de toda a água doce do Planeta. Com as ameaças de “mudanças climáticas” que eu advogo possam ser de mudanças meteorológicas porquanto devem afetar, basicamente, temperaturas e precipitações, dificilmente clima, poderão ocorrer padrões ainda mais erráticos de chuvas o que levaria à necessidade de maiores registros e controles no manejo integrado de água e de solos, plantas e atmosfera, para o melhor suprimento de água e regulação da umidade nos lençóis freáticos.

Nossa grande preocupação, contudo, é com o ar e com as águas poluídas, ou seja, com as ações humanas que poluem a atmosfera e as águas continentais, já com forte repercussão nos oceanos e mares. E de onde vem isso? Fundamentalmente dos centros urbanos.

As propostas para a “produção de água”

A pouca quantidade de água armazenada na atmosfera (12.900 km3 igual a 0,001%) e a pouca quantidade de água armazenada no solo nos chamados lençóis freáticos (16.500 km3 igual a 0,001%), estatisticamente são equivalentes. Paradoxalmente, nós profissionais técnicos nos preocupamos muito com a chuva, seus regimes, ocorrência, conseqüências etc e muito pouco com a água armazenada nos solos e o que os solos têm como potencial para armazenar.

Se uma floresta tem o papel de amortecer os efeitos de chuvas mesmo torrenciais e se uma pastagem, com ou sem plantas forrageiras, desempenha essa mesma função, ainda que em graus diferentes, a técnica do iLPF – Integração Lavoura-Pecuária-Floresta é, por definição, perfeitamente ajustável aos propósitos de aumentar a capacidade de retenção de umidade nos solos onde se a pratica. É formular o manejo e estabelecer a coleta das métricas para análise.

Num imóvel rural ou numa gleba para o cultivo de algum vegetal buscamos aplicar cada vez menos adubos, menos defensivos, menos combustíveis e obtermos cada vez mais produção via produtividade, isto é, mais toneladas de produto por hectare. Nesse caso, a água é também um insumo e deveríamos buscar o mesmo, menor quantidade de água por hectare, isto é, maior produção via maior produtividade da água. É a proposta que se faz para a pesquisa que deveria buscar esse conhecimento e promover a sua adoção.

Numa cultura agrícola não extrativista o normal é aportarmos aos imóveis rurais com insumos não existentes ou em baixa quantidade para os propósitos de produção. Isso acontece com adubos corretivos, sementes e mudas, adubação de semeadura e/ou de plantio, adubação de cobertura, defensivos agrícolas, energia elétrica, combustíveis, maquinaria, mão-de-obra e outros. Com o insumo vital água não deveria ser diferente. Devemos conhecer os fornecedores desse insumo, a forma como chega ao imóvel rural, características, quantidades etc para as definições de estocagem de água e de seus usos ao longo do ano agrícola.

É lógico que muitas práticas conservacionistas – vegetativas e mecânicas – normalmente recomendadas se prestam aos propósitos de “produção de água”, inclusive a de remuneração por adoção de boas práticas agrícolas e ambientais.