Recapitulando, o International Water Management Institute – IWMI considera que a tradicional separação entre sequeiro e irrigado se tornou obsoleta e que deveriam ser substituídas por Manejo da Água para a Agricultura, contemplando todo o espectro desde a de sequeiro (pure rainfed), suplementar via adução de água, até a irrigação completa. È um início para a concepção e conceituação de Agricultura Irrigada. É só desenvolver mais um pouco.

Para crescerem e se reproduzirem as plantas necessitam de nutrientes inorgânicos em adição ao dióxido de carbono e água. Nutrientes estão presentes no solo, mas se esgotam a menos que supridos via fertilização. A adubação é a prática usualmente utilizada. No entanto, tem limitações com respeito a sua disponibilidade para as plantas. Alternativamente, a fertilização pode ser feita aspergindo nutrientes na parte aérea – adubação foliar. Modernamente, sistemas de irrigação possibilitam a fertiirrigação e a quimioirrigação. A adubação foliar provê nutrientes às folhas, enquanto que na adubação do solo as raízes é que fazem a absorção dos nutrientes. O índice de umidade no solo é importante para que esse processo se realize. Nisso a matéria orgânica no solo é de fundamental importância para a maior retenção de umidade.

Como micróbios do solo mudam carbono, nitrogênio e matéria orgânica? Desde que se reconhece a necessidade de aumentar a atividade microbiana pelo enriquecimento do carbono orgânico no solo o que pode ser feito por meio da reciclagem de resíduos, compostagem, adubação orgânica e o uso de biofertilizantes, uma das propostas mais recentes é o Biochar.

E a Agricultura Irrigada, o que é e qual sua definição? O que para a irrigação, é razoavelmente bem definido, o mesmo não se pode dizer sobre uma conceituação clara e convincente do que seja a Agricultura Irrigada. As citações sobre Agricultura Irrigada sempre recaem no tratamento da irrigação.

As publicações científicas, artigos técnicos e, mesmo, do noticiário não explicitam o significado da Agricultura Irrigada. O certo é que o padrão tecnológico está em transição, em fase de mudanças. A questão está em qual será a nova direção do progresso técnico na agricultura e se existe espaço para uma agricultura sustentável em bases científicas, com condições de competir com a agricultura convencional da revolução verde?

O fato é que a produção de alimentos terá de aumentar o dobro até 2050 para suprir a expansão da população mundial e que 80% desse montante terão que vir da agricultura com irrigação e a irrigação não poderá utilizar mais de 20% da água que usava em 2000 (FAO). Resta-nos pouco tempo para solucionar essa equação. O que não pode é seguir com essa irrigação que se pratica com muito desperdício de água, de solos e de energia, ou seja, uma irrigação de baixa qualidade, ineficiente, ineficaz e inefetiva.

A Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem – ABID, na pessoa do seu Presidente[1], conceitua a Agricultura Irrigada como um “sistema integrado de produção que tem a água como vetor para diferenciá-lo, envolvendo irrigação, drenagem e a gestão dos recursos hídricos como um todo, bem como as relações hídricas nas explorações econômicas e as interfaces das mesmas com os fatores bióticos e abióticos de cada empreendimento”

A iniciativa do Governo do Distrito Federal de elaborar o Plano Diretor para a Agricultura Irrigada no Distrito Federal e Entorno – Região Integrada de Desenvolvimento Econômico (RIDE/DF), possibilitou a formulação de uma proposta como definição de Agricultura Irrigada, qual seja: “A Agricultura Irrigada é a cultura agrícola que tem de arte e de ciência no uso e manejo sustentável da água para a produção de alimentos e dela própria” Elmar Wagner, 2016.

 A Agricultura Irrigada, diferente de irrigação agrícola, mas que a contém se fundamenta na drenagem e no adequado manejo das relações água, solo, planta e atmosfera, com monitoramento diário, durante o ano todo, objetivando a produção de água e a produção de alimentos e de bioenergia.

A Agricultura Irrigada como pratica pela adição de água às lavouras, plena ou suplementarmente ao regime de chuva, com monitoramentos completos da precipitação e de fenômenos da natureza como radiação solar, ventos, temperatura do ar e do solo, níveis de infiltração, retenção de umidade nos solos, da absorção de água pelas plantas e da evapotranspiração potencial e real, ao longo do ano, bem como amostragens e análises de solos e foliar, objetiva maximizar o aproveitamento racional e ordenado dos recursos naturais e a otimização dos fatores de produção[2]. Significa dizer, uma agricultura em qualquer nível – pequeno médio ou grande – que se aproxime de uma agricultura de precisão capaz de liberar terras para outras atividades de produção e, sobretudo, para a produção de água em nível de estabelecimento ou de imóvel rural.

Na prática, equivale a uma considerável redução no uso de terras, da ordem de três a quatro vezes, e um aumento da produção por hectare/ano, da ordem de 40%. Os outros 30% deverão ser contribuição do que ainda será produzido em condições de chuva e de aumento da área sob agricultura irrigada. Essas projeções estimadas se baseiam no binômio soja (1ª safra) e milho ou sorgo (2ª safra/safrinha), totalizando a meta de 12 t/ano em módulo típico de 190 hectares nos Cerrados, versus 50 ha irrigados ano todo e com três safras, mantida a produtividade da soja que pouco responde á irrigação, 50% de aumento da produtividade do milho ou de sorgo e um terceiro cultivo com produtividades da ordem de 40 t/ha do tipo batata ou outros. Numa propriedade típica de 250 hectares, a reserva legal mais APP seria de 50 hectares, e outros 10 hectares destinados à infraestrutura de acessos, edificações e espelho dágua. A experiência prática tem demonstrado ser viável a obtenção de cinco safras em dois anos.

Naturalmente, assim como para um Projeto de Agricultura Irrigada de Produção de Alimentos, também as áreas de RL/APP e demais 140 ha contariam com Projeto para a devida captação de água e estocagem superficial ou subterrânea para alimentação da bacia pelo fluxo base. Cada Unidade de Produção Agrícola e Ambiental – UPAA – desenha (planeja) sua ocupação da melhor forma combinando produção de alimentos e produção de água.

A pergunta que se faz sobre “qual será a nova direção do progresso técnico na agricultura e se existe espaço para uma agricultura sustentável em bases científicas, com condições de competir com a agricultura convencional da “revolução verde”, baseado nessa simulação e em outras a pergunta poderia ser respondida pela pesquisa agrícola instalada no país.

 O ciclo do Carbono

 Em termos globais o ciclo do carbono ocorre entre todos os principais reservatórios de carbono da terra: a atmosfera; a terra; e os oceanos. O ciclo global do carbono é formado por dois ciclos que acontecem em diferentes velocidades: 1) ciclo biogeoquímico; e 2) ciclo biológico. O ciclo biológico envolve as atividades tanto de microorganismos como de organismos macroscópicos e esta intimamente relacionada com o ciclo do oxigênio, já que a fotossíntese oxigênica tanto remove o CO2 como produz O2, enquanto o processo respiratório produz CO2 e remove O2.

O ciclo biogeoquímico regula a transferência do carbono entre a atmosfera e a litosfera (oceanos, rios e solos). Outra maneira de troca é encontrada no ciclo carbono-silicato (80% do total de CO2). O CO2 é removido da atmosfera principalmente pela fotossíntese e é devolvido por meio da respiração das plantas, dos animais e de microorganismos.

 Produção de água

 A Agência Nacional de Águas – ANA, tem como foco o estímulo à política de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) que compreendem, bascamente, a redução da erosão e do assoreamento de mananciais no meio rural, propiciando a melhor oferta de água em bacias hidrográficas de importância estratégica para o país. É conservação do solo e água ajustado ao princípio do provedor-recebedor. Entre as ações elegíveis estão: (i) construção de terraços; (ii) bacias de infiltração; (iii) readequação de estradas vicinais; (iv) recuperação e proteção de nascentes; (v) reflorest6amentos de APP e RL; (vi) saneamento ambiental e outros. O único exemplo existente no DF é o da Bacia di Pipiripau.

[1]  Saturnino, H. M. Presidente da ABID. Contribuição pessoal ao tema. Janeiro de 2016.

[2]  Wagner, Elmar. Proposta de definição para Agricultura Irrigada sujeita a discussão e aprimoramentos. Brasília/DF. Janeiro de 2016.