Na agricultura convencional, pluvial ou de sequeiro, sempre foi recomendada a rotação de espécies entre leguminosas e gramíneas, bem como, na “pequena agricultura” também cultivos intercalares, para o favorecimento de condições ambientais e o desfavorecimento à ocorrência de invasoras, pragas e doenças. Tudo isso sempre em nível de gleba e de Unidade de Produção Agrícola. Depois do advento da “sustentabilidade” teve reinício, também, a chamada “agricultura orgânica” que já era praticada com alguns insumos diferentes antes da “revolução industrial”, da “revolução genética, e da “revolução verde”, com irrigação ou apenas molhando a plantas.

Considerando que tudo isso é função do padrão de chuva ou de sua inexistência, o manejo de água se faz como em Israel, na ausência de chuva, com captação e adução de águas do Mar da Galiléia e, mais recentemente, do Mar Mediterrâneo, ou onde existe precipitação, casos em que será complementar.

Os padrões de chuva, ao que tudo indica, também estão em processo de transição ou, pelo menos, de mudança e se isso continuar é mais uma razão para mudar o padrão tecnológico, em que a agricultura passa a assumir dois papéis de suma importância:

  • 1) de produzir alimentos, plantas medicinais, fibras e bioenergia;
  • 2) de produzir água no meio rural.

A cultura do agricultor e de sua família deverá mudar ajustando-se aos novos tempos.

Outra questão de suma importância é a orientação que a Agricultura Pluvial ou de Sequeiro assumiu no Brasil. O país passou a ser grande produtor e exportador de soja, milho, sorgo, algodão, açúcar, suco de laranja, e de carnes bovina, suína e de aves, com a expectativa mundial que permaneça e, inclusive, aumente sua participação como supridor dessas e outras commodities para outros países. O padrão tecnológico alcançado com esses produtos é invejável, com destaque para a agricultura de precisão.

Essas commodities da produção agrícola vegetal são eminentemente destinadas à alimentação animal e os produtos desse arraçoamento destinados à alimentação humana. Fica em aberto uma proposta orientada para a alimentação humana, grande desafio enfrentado por inúmeros países ao redor do Planeta Terra.

Os aumentos populacionais e a concentração de pessoas e atividades que ocorrem em perímetros urbanos levam a que disputa e competições aguerridas se estabeleçam entre os meios urbano e rural fazendo com que os processos tenham de ser analisados amplamente num contexto hidrológico que sirva como base para análises que realmente comprovem comparações e acessos aos diferentes tipos de uso da água.

Nesse particular, quanto maior a abrangência e no longo prazo a “contabilização” do que evapora de corpos líquidos e a evapotranspiração dos solos e das plantas iguala a precipitação, mas, na medida em que a abrangência diminui de grandes bacias hidrográficas a uso local de solos, esquemas de irrigação, projetos de unidades de produção, e a componentes temporais do tipo ciclo de cultivos, turnos de rega e sazonalidades, as questões “fronteiriças” de fluxos da água em formas e locais – atmosférica, superficial e subterrânea – assumem complexidade e significância crescentes.