Desde a definição mais simples, drenagem é definida como o “escoamento de águas de terrenos encharcados, por meio de tubos, valas ou fossos”, ou ainda como “saída de fluído por drenos – tubo ou vala para drenagem”[1] Quase sempre se refere a “remover o excesso de água do solo de modo que lhes dê condições de aeração, estruturação e resistência”.[2]

E se a drenagem, ao invés de retirar o excesso de água proveniente da chuva ou da aplicação na irrigação, tivesse o objetivo de controlar o lençol freático prolongando o tempo de retenção de umidade no solo, como forma de estocagem de água?

Muda tudo! É a proposta da Agricultura Irrigada de captação e manejo da água em nível de unidade de produção ou de imóvel rural, e com adoção dos conceitos de Cadeia de Produção Curta (CPC) e de Ciclo Hidrológico Curto (CHC).

O escoamento em meios porosos constitui capítulo dos mais importantes para o estudo de drenagem em geral e de terras agrícolas em particular. MANEGOLD (1937) citado por SCHEIDEGGER (1974) dividem os meios porosos em vazios, capilarizados e espaços forçados, e podem ter seus poros interconectados ou não, e também segundo sua distribuição espacial ordenadamente ou de modo randômico, este abrangendo a maioria dos meios porosos reais.

A Lei de Darcy fundamenta a teoria do escoamento laminar e lento através de um meio poroso homogêneo, onde a tarefa principal é elucidar o significado físico da constante K que depende das características geométricas do meio poroso e das propriedades físicas do fluído em questão, principalmente viscosidade e permeabilidade específica.

Drenagem Agrícola

Sob o ponto de vista agrícola, drenagem é a remoção do excesso de água e de sais do solo numa razão que permita o estabelecimento e crescimento normal dos cultivos, e pode ser dividida em: Drenagem Natural; e Drenagem Artificial[3].

Na drenagem natural, o solo em suas condições, também naturais, tem capacidade para escoar a água que atinge a área, proveniente do escoamento superficial e sub-superficial.

A drenagem artificial é necessária quando a drenagem natural não é suficiente para eliminar os excessos de água. A drenagem artificial visa complementar a diferença entre a natural e a necessária ou adequada. Praticamente, é a que vai viabilizar o manejo da água no lençol freático e de águas subterrâneas.

As condições ideais de um solo dependem do equilíbrio entre as fases líquida e gasosa. Quando a solução do solo começa a ocupar todo o espaço poroso, o problema é de drenagem,

ocasionando falta de oxigênio para o desenvolvimento das plantas. No caso da fase gasosa ocupar o espaço da solução do solo, ocorre déficit hídrico, ocasionando deficiência de água para as plantas. A simples ocorrência da fase gasosa no solo não implica que a aeração seja adequada. A fase gasosa é necessária para que exista aeração com troca de gases entre a atmosfera interna e externa do solo, por meio de dois mecanismos: 1) difusão, movimento em resposta ao gradiente de pressão parcial/concentração de gases; e 2) do fluxo de massa, movimento dos gases em resposta ao gradiente de pressão total dos gases.

Dentre os parâmetros aeração, estrutura, temperatura do solo, permeabilidade/porosidade drenável, salinidade, agentes patogênicos e fisiologia das plantas, a condutividade hidráulica de um solo saturado é o principal parâmetro que determina a capacidade de drenagem de um solo. Dependendo somente da textura e da estrutura, a condutividade hidráulica é constante para cada tipo de solo.

Os métodos mais comuns para a determinação da condutividade hidráulica são: 1) método do poço, em campo, o mais simples; e 2) permeâmetro de carga constante, em laboratório.

Água no solo

Existem dois atributos do solo que são fundamentais para a compreensão e para o manejo de água no solo: 1) o Ponto de Murcha Permanente (PMP); e 2) a Capacidade de Campo (CC). O PMP é o teor de umidade no qual a planta não consegue retirar água do solo, e a CC é a capacidade máxima do solo em reter água, acima ocorre perda por percolação ou por escorrimento superficial[4]. Tensiômetros e Tensímetros são usados na determinação desses atributos. Existe, também, medidores eletrônicos;


[1] Silveira Bueno. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. 11ª Edição, 2ª Tiragem. Ministério da Educação e Cultura – MEC. Fundação Nacional do Material Escolar – FENAME. Rio de Janeiro. 1979.

[2] Lima, Luiz A. Drenagem de Terras Agrícolas. ENG. 158/UFLA.

[3] Pimenta de Melo, Jorge Luiz. Drenagem Agrícola. UNIP. Fevereiro de 2009.

[4]